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 Câmara ALEXA da ARRI agora é capaz de gravar em Avid DNxHD

Seguindo uma tendência que parece digna de nota, a alemã ARRI acaba de anunciar uma actualização importante para a sua câmara Alexa, permitindo que se possa agora gravar directamente com o codec DNxHD da Avid, gerando ficheiros MXF que são directamente reconhecidos e editáveis por uma enorme quantidade de equipamentos, desde os sistemas não lineares da própria Avid, até toda uma série de servidores existentes no mercado. Depois de no IBC 2011 termos visto uma série de anúncios semelhantes por parte de fabricantes de gravadores digitais, como a AJA Video, Cinedeck, Atomos e Sound Devices, agora é a ARRI que decide introduzir o formato de compressão – neste caso directamente para os cartões de memória SxS Pro integrados na câmara. Igualmente importante é a confirmação de que a ARRI irá suportar o novo perfil DNxHD 444 deste codec, recentemente anunciado pela Avid e que constitui o patamar de qualidade mais elevada deste formato aberto.

(foto: Enfrentando maior concorrência no segmento de topo de produção cinematográfica digital, a ARRI aumenta significativamente os argumentos das suas câmaras Alexa 2K com o suporte de gravação directa em ficheiros DNxHD).

A possibilidade de gravar nativamente em Avid DNxHD, com ficheiros MXF gerados directamente na câmara, vem criar uma proposta nova para a indústria de produção de cinema digital e representa uma importante evolução ao ecossistema de produção equiparada ao 35mm, representado pela gama de câmaras ARRI Alexa. A própria ARRI, no comunicado em que anuncia este suporte, aproveita também para enquadrar a importância do formato com o mercado a que a Alexa se dirige – e que é essencialmente um mercado de produção de masters para televisão, uma vez que no âmbito de cinema e publicidade, existe pouco interesse em se adoptar formatos com compressão. A combinação da qualidade e da fiabilidade já reconhecida às câmaras Alexa, com o codec e todo o fluxo de edição da Avid, vem oferecer um processo de trabalho menos complicado para o mercado de produção, ajudando a reforçar a posição da ARRI como fabricante de câmaras na era digital, para além do mercado de cinema digital onde conquistou rapidamente uma forte quota de mercado mas onde a concorrência entretanto aumentou exponencialmente.
O mais curioso é que, ao usar como suporte de gravação os cartões de memória SxS Pro introduzidos pela Sony para o seu formato XDCAM EX, as ARRI Alexa gravam agora nestes suportes dois codecs criados por empresas de sistemas de pós-produção – ProRes da Apple e DNxHD da Avid – e não os codecs da Sony. Isto indica que o mercado está menos receptivo aos formatos de maior compressão introduzidos pela Sony e Panasonic – originalmente pensados para resolver o dilema dos custos de memória – ao mesmo tempo que aumenta a percepção das vantagens de gravar directamente num codec editável nativamente. Embora a optimização destes codecs para usar em câmaras levante ainda outros problemas de capacidade de processamento que impedem a sua implementação em câmaras mais económicas... É por isso os fabricantes japoneses têm que jogar com este equilíbrio que começa a ser problemático, nos segmentos de mercado para que apontam.
Segundo a ARRI aponta, para as produções cinematográficas, as câmaras Alexa são capazes de gravar ficheiros ARRIRAW que traduzem na prática os 3K de resolução nativa dos seus sensores (2K no formato final de saída), preservando assim o formato de “negativo digital” 35mm para master e arquivo. Mas a questão é que existem muitos outros processos de produção onde o objectivo visa produzir masters em HD, onde a introdução de um codec intermédio constitui um compromisso aceitável, como acontece como o ProRes e o DNxHD. A ARRI Alexa tem essa versatilidade de gravar em paralelo, permitindo registar os formatos RAW ou RGB sem compressão externamente, em gravadores de dados adequados, enquanto ao mesmo tempo grava ficheiros nestes codecs em memórias SxS Pro internas, eliminado assim a necessidade de uma etapa de transcodificação. Um processo que, também para visionamento diário e edição offline de produção cinematográfica se está a popularizar. A introdução de uma segunda opção em Avid DNxHD permite repetir os processos até aqui efectuados em formato Quicktime, directamente para ficheiros MXF suportados nativamente pelos populares sistemas da Avid, sobretudo importantes em produções onde o prazo de entrega é curto. Tudo isso, sem comprometer a eventual existência de um segundo ficheiro “negativo digital” em ARRIRAW.
Segundo comenta Neil Fanthom, responsável de estratégia da divisão de câmaras da ARRI, “o ambiente de edição da Avid é importante na indústria de televisão e na pós-produção para a indústria de cinema e é com muito agrado que a ARRI oferece agora a possibilidade de se gravar directamente para ficheiros Avid DNxHD MFX directamente na Alexa, facilitando assim processos de produção baseados em equipamentos da Avid. Esta actualização vem reconfirmar o nosso compromisso de ir acrescentando valor à família de câmaras Alexa, neste caso permitindo aos nossos clientes serem eles a escolher qual o método de trabalho que se adapta melhor às suas necessidades de captação e pós-produção. Nenhuma outra câmara na indústria preenche semelhante diversidade de processos de trabalho”.
Pelo lado da Avid, Angus Mackay, responsável do segmento vídeo profissional, afirma “ao oferecer gravação nativa em DNxHD na Alexa, a ARRI está a permitir que se possa começar a editar sem necessidade de transcodificar e reempacotar os conteúdos. A versão 6 do Media Composer oferece agora o novo codec DNxHD444 que irá permitir preservar muito mais informação de cor, mantendo uma cadência de dados adequada a edição. Esta é uma excelente notícia para os clientes da ARRI e da Avid que poderão beneficiar de todas as vantagens, em termos de qualidade, rapidez e processos de trabalho simplificados”.
A capacidade de gravar em DNxHD será implementada nas câmaras Alexa através de uma actualização paga que será disponibilizada pela ARRI em Janeiro de 2012. Segundo a ARRI, esta versão de software está agora a ser testada em campo por múltiplas produções e inclui o suporte do codec Avid DNxHD até 145Mbit/s a 8 bit e 220Mbit/s a 10 bit na versão inicial. A nova versão de mais alta qualidade do codec Avid DNxHD 444, que irá usar uma cadência de 440Mbit/s a 10 bit, será fornecida como actualização a todos os clientes que tenham comprado a opção de gravar em DNxHD, ainda durante o primeiro trimestre de 2012.

Um pouco de história
Porque é que, de repente, o “quase esquecido” codec DNxHD despertou o interesse de todos os fabricantes de gravadores e câmaras digitais (à excepção naturalmente das marcas japonesas...)?
Convém recordar que o codec DNxHD surgiu em 2004 e constituiu então um dos anúncios estratégicos de uma Avid que estava a entrar em força no domínio das infra-estruturas de televisão (deixando a guerra dos editores não-lineares praticamente para a Apple com o seu Final Cut Pro), faltando-lhe nessa época apenas fabricar câmaras. O algoritmo de compressão usado no Avid DNxHD era uma tecnologia que, de repente, lhe permitia resolver os dilemas do armazenamento em televisão e permitia à marca criar uma ponte com o mundo da captação, motivo porque então a Avid anunciou a intenção de tornar o código fonte licenciável gratuitamente a qualquer empresa que o quisesse implementar. Este codec introduziu então uma tecnologia de codificação 10-bit HD que equivale exactamente à mesma largura de banda e requisitos de armazenamento dos ficheiros SD, motivo porque as vantagens da sua implementação como formato de distribuição eram uma boa aposta para estações que estavam a migrar de SD para HD e não queriam refazer logo toda a infraestrutura.
Curiosamente, a primeira empresa a licenciar a tecnologia foi a Ikegami, o mais importante fabricante japonês de câmaras, ligado directamente à estação de pública de televisão japonesa NHK e, de onde saem tradicionalmente muitos dos designs de referência na tecnologia de televisão. Na altura, a Ikegami adoptou o formato DNxHD na segunda versão da Editcam, a primeira câmara de gravação directa para ficheiro e que também usava já o formato de encapsulamento MXF, então recentemente aprovado. Curiosamente, mais por causa da “juventude” da câmara e do seu sistema de armazenamento propietário, o projecto Editcam falhou rotundamente e o mercado quase que se esqueceu que um dia houve uma câmara que usava o formato da Avid.
Segundo explicou na época a Avid no lançamento do DNxHD, o desenvolvimento levou 3 anos a concluir e foi integralmente efectuado nos centros de investigação da marca. Como dizíamos, a motivação principal era permitir editar ficheiros HD nas plataformas Mac e PC da época, com o mesmo desempenho e rapidez com que se editava em SD. Segundo afirmava então um especialista de produto da Avid, “os nossos clientes disseram-nos que o maior obstáculo que agora enfrentam com a produção em HD está em implementar sistemas de trabalho eficientes com os enormes ficheiros HD. Com a tecnologia Avid DNxHD, eles podem agora trabalhar com material HD a 10-bit e partilhar ficheiros em tempo real, da mesma forma que o têm feito com material SD”. Estávamos em 2004, mas parece que foi há 20 anos...
Efectivamente, nessa época, a Avid permitia editar HD sem compressão nos seus sistemas de edição, da mesma forma que suportava edição HDV e DVCPRO HD até 100Mbps. Faltava claramente um patamar intermédio entre as elevadíssimas cadências de dados associados ao material HD sem compressão (tipicamente na ordem dos 1.2 gigabits por segundo) e os codecs de câmara existentes então. Não foi por acaso que um dos primeiros broadcasters europeus a implementar uma infraestrutura de rede HD com distribuição de ficheiros – a BSKyB – adoptou de imediato o formato DNxHD da Avid no patamar dos 220Mbps (um sinal SD, sem compressão, ocupa sensivelmente 200Mbps).
A tecnologia de codificação DNxHD partiu de uma filosofia concebida directamente para edição não-linear e composição em multigeração, adequada para ambientes de rede. O algoritmo de compressão original do DNxHD funcionava com amostragem de cor 4:2:2 em três configurações de cadências seleccionáveis pelo utilizador: 220 megabits per second (Mbps) para vídeo 10-bit ou 8-bit e uma configuração 8 bit altamente eficiente que apenas exige 145 Mbps. Além disso, nos testes efectuados então, verificou-se que a elevada qualidade de imagem apresentada pelo sinal DNxHD suportava bem sucessivos processos de compressão concatenados, nomeadamente provenientes de redes de contribuição – algo que a Ikegami terá garantidamente testado à exaustão, antes da decisão de adoptar o formato. Um dos motivos é que o codec respeitava sempre o formato “raster” progressivo, número de linhas, relação de aspecto e formato dos próprios pixels da imagem original, antes de aplicar compressão. Outra factor importante é que a tecnologia Avid DNxHD foi a primeira a adoptar o formato MXF como wrapper (encapsulador), permitindo assim o intercâmbio directo de material entre sistemas Avid e outros produtos compatíveis MXF. Como afirmavam então os responsáveis da Avid, “o DNxHD é o primeiro formato de compressão vídeo pensado para ir desde a câmara à edição e masterização”.
Agora, decorridos quase oito anos desde o seu lançamento, a indústria descobre o formato Avid DNxHD, mas a motivação é claramente outra. Face à dominância no mercado do Final Cut Pro da Apple, acompanhado de uma enorme popularidade da família de codecs Apple ProRes, actualmente já com variantes de amostragem superior de cor a 10 bit e suporte de resoluções até 4K, a indústria procurou igualmente uma alternativa de um formato suportado nativamente pelos editores da Avid – entre os mais populares em âmbito broadcast mas também pós-produção high-end – e redescobriu a proposta de licenciamento aberto original da Avid. Para os fabricantes de gravadores digitais externos, a opção era uma proposta claramente diferenciadora e a própria Avid parece ter “redescoberto” a sua própria tecnologia, aproveitando para introduzir novos patamares, com a opção DNxHD 444 para as suas recentes versões dos editores Media Composer e Symphony. Conforme a ARRI rapidamente percebeu, a tendência é imparável e vem novamente relançar o confronto entre os formatos encapsuladores Quicktime MOV e MXF, com a Apple de um lado e a Avid do outro. Mas pensando bem, o que é essa guerra interessa a um fabricante de câmaras? Por isso, a ARRI que já suportava ProRes na Alexa, apressou-se a introduzir o suporte DNxHD... e o mercado que escolha.
www.avid.com
www.arri.com
Fonte Produção Profissional http://www.pp.com.pt/
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