Editado por Mário Melo Costa

Profissionais reivindicam melhores condições de trabalho.

December 9, 2018

 

Os técnicos e os atores que trabalham na produtora de conteúdos Plural encetou há dias uma greve parcial parando às horas extraordinárias. O grupo reivindica um horário normal de trabalho de 8 horas e não as 10 e 11 horas que são norma praticar. Este é um problema que se arrasta há largos anos na produtora sem ter tido nenhum evolução nem mesmo com as visitas da Autoridade do Trabalho. Agora juntamente com os sindicatos CENA e STE

 (http://www.cena-ste.org/noticias/entry.html?ref=458&blog=noticias 

os profissionais decidiram parar à 8ª hora de trabalho como forma de chamar a atenção aos produtores que a situação se tornou insustentável. Para além dos problemas de carga horário que se queixam os profissionais também aludem às discrepâncias salariais para o mesmo trabalho entre colegas e a ausência de aumentos há pelo menos uma década. 

Esta é provavelmente a primeira paragem jamais realizada neste setor incluindo o cinema e a publicidade onde as práticas laborais estão longe de ser exemplares. A precariedade dos recibos e a grande rotatividade de profissionais com a desqualificação de elementos experientes em detrimento de estagiários causam situações de insegurança. Sem exigências pela qualidade dos conteúdos, os produtores não se sentem na obrigação de valorizar profissionais dando-lhes estatuto profissional. Assim neste caso em particular a rutura foi inevitável. Os profissionais não suportam mais a indiferença profissional, a precariedade das suas vidas. Viver a vida assim não é vida  - como afirmam alguns dado a pressão exagerada de dias de 12 horas sem contar com a viagem ao local de trabalho.

O problema infelizmente não se limita à empresa Plural. É uma prática comum. Na publicidade, na longa-metragem onde outros problemas se levantam para além dos horários. O vínculo laboral é precário no ponto de vista jurídico e social. Mesmo as poucas alterações que se processaram ultimamente são escassas para o que é necessário. A solução passaria pela a assinatura do contrato de trabalho a termo durante o período da filmagem. Um contrato que estaria assente num negociação coletiva onde se estabelecesse regras base comuns para todos. Mas para isso tem de haver parceiros sociais para negociar e debater os problemas do setor. Existe por parte dos profissionais o sindicato CENA e STE (http://www.cena-ste.org/default.html ) mas não existem associações de produtores com quem se possa negociar. 

É necessário para o setor um cultura associativa que respeite os direitos de um lado e de outro. Não pode ser o quero posso e mando e a submissão de um outro lado sujeito às arbitrariedades e abusos psicológicos de outro. Tem de se encontrar uma relação de equilíbrio de forças para que se chegue a um patamar que satisfaça ambas as partes.

Por último, será de elementar justiça mencionar aqui a forma como a comunicação social em geral tem ignorado o assunto. É um apagão noticioso. Devemos perguntar: até onde vai a independência e a isenção dos jornalistas? A noticia tem relevância pública porque são aqueles que produzem as telenovelas neste caso e teria certamente interesse. Mas compreende-se claro que o produto premium da sua programação não deve ser manchado. Mas então que pressionam o fornecedor a resolver este problema dos profissionais para que não sejam vítimas desta injustiça laboral grosseira. Porque os profissionais adoram o trabalho que fazem, são dedicados e dão o máximo de si para o trabalho ser o melhor possível e da melhor qualidade e por isso merecem todo o respeito e a serem tratados com a dignidade que se lhes assiste. Ninguém faz greve por fazer greve. 

Tony Costa

Presidente aip

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