Editado por Mário Melo Costa

Carta aberta à EGEAC Cultura em Lisboa

May 20, 2019

Carta aberta à EGEAC Cultura em Lisboa

Apelo do setor do audiovisual à urgente intervenção dos meios técnicos da Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge.

 

 

Carta Aberta à Direcção da EGEAC

 

O Cinema S.Jorge tem 69 anos de história.

 

É assumido por V.ª Ex.ª como um cinema do presente, e com olhar para o futuro, fazendo da sua história um património vivo da cidade de Lisboa.

 

Porém, um cinema não é apenas uma sala com lugares sentados.

 

Desde que o cinema se inventou que é necessário apagar as luzes para que a imagem se projecte, e é necessário que a sala onde se projecte tenha condições para que tal seja possível. Sempre foi e sempre o será.

 

Mas são já anos e anos os que passam, em que as projecções em ambas as salas do Cinema S. Jorge, sobretudo na que foi denominada com o nome maior do cinema português - Manoel de Oliveira- , carecem de qualidades mínimas para a projecção de cinema.

 

Ao longo desses anos, inúmeras foram as horas em que projeccionistas e realizadores, directores de fotografia, directores de som, produtores, tentaram lutar contra as obsoletas máquinas de projecção de imagem e sistemas de som para tentar mostrar o filme o melhor possível ao público. Infelizmente o resultado, por muita luta que se faça, é sempre catastrófico.

 

Inúmeras foram as reclamações, os avisos, os pedidos de atenção, aos quais a resposta foi sempre atirada para os técnicos de sala, desresponsabilizando os verdadeiros responsáveis - a empresa municipal que mantém e dirige o Cinema São Jorge, que assina protocolos com os festivais de cinema e cobra bilhetes de entrada, a empresa municipal que anuncia o São Jorge como a Casa do Cinema Português.

 

Não é possível apresentar uma ópera numa sala sem acústica para tal. O mesmo se passa na música. Quando vamos a uma galeria ou a um museu ver determinada pintura, necessitamos de iluminação para que seja possível vê-la.

 

Como tal, é inadiável resolver o problema de anos desta sala. O público que se desloca ao Cinema S.Jorge tem o direito de ver e ouvir o filme a que se predispôs assistir, e não uma espécie de borrão ao som do que as colunas naquele dia decidam reproduzir. As pessoas que fizeram esse determinado filme, não fizeram esse borrão, não construíram esse som. O que está a ser mostrado ao público são filmes que não existem. São acasos construídos pelo próprio sistema de projecção. São atentados às obras, aos autores, e ao direito básico dos cidadãos de usufruírem da cultura e arte em condições de dignidade.

 

Assim, consideramos obrigatória uma imediata mudança nos equipamentos de projecção de imagem e som, mesmo que isso obrigue a reformulações da própria sala. Caso contrário corremos o risco de não estarmos a viver o presente, nem estarmos a pensar o futuro – estamos a potenciar junto do público o descrédito nos filmes a que assiste e a incentivar a que não regressem ao Cinema São Jorge, mesmo a que não frequentem cinemas ou os filmes que lá se mostram.

 

Pedimos que respeitem o trabalho dos profissionais de cinema, e sobretudo que respeitem o público que se senta no Cinema São Jorge. Só com respeito conseguimos viver numa cidade que se propõe ser uma das cidades mais competitivas, criativas, inovadoras- e tantos outros mais adjectivos - da Europa.

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