Editado por Mário Melo Costa

Entrevista a Leonardo Simões aip a propósito de «Vitalina Varela».

October 29, 2019

 

Leonardo Simões

Foto: Kino-Doc.pt

 

O realizador Pedro Costa volta de novo com mais um filme. Desta vez com «Vitalina Varela». O filme terá estreia em sala, pelo país e conta com a assinatura da direção de fotografia de Leonardo Simões aip e com a produção de Optec de Abel Ribeiro Chaves. Neste filme o realizador aborda de novo a temática dos imigrantes em particular vindos das ex-colónias e neste caso a figura central é Vitalina Varela de nome próprio que arranca com a sua interpretação o prémio melhor atriz no festival de Locarno na Suíça.  De igual modo o realizador Pedro Costa teve o prémio máximo do festival, o Leopardo de Ouro. Pedro Costa é talvez, para não se dizer que é, o realizador mais conceituado a nível mundial drento do género «slow cinema». A prova disso foi vencer este conceituado prémio de um festival de categoria A algo que não é comum. José Álvaro de Morais também o conseguiu nos anos 80 com o filme «O Bobo»

Trailer: 

 

SITE OPTEC - https://www.optecfilmes.com/

 

O nosso associado Leonardo Simões aip foi o braço direito de Pedro Costa e com ele também partilha o sucesso do filme e em especial a excelente fotografia que ressalta desta obra. Falamos com ele numa conversa informal.

 

A entrevista:

1 – Não será certamente fácil trabalhar com Pedro Costa dada a sua forme meticulosa com a composição e com a iluminação, mas também ninguém espera facilidades na nossa profissão, explica como é trabalhar com um realizador como o Pedro que tem uma visão muito clara e concreta do que quer da imagem.

 

É preferível trabalhar com um realizador que se preocupa com todos os detalhes do filme, incluindo a luz, que só dá por terminado o trabalho quando tudo está bem. Pedro Costa é um realizador que nos obriga a ser meticulosos como ele é. É um realizador muito atento, aos actores, ao som, à produção e claro à imagem. Para ele todos os planos são preparados e construidos com tempo. Quando não está bem, refazemos, voltamos ao inicio se for necessário. é um trabalho ardo mas gratificante. 

 

 

2 – Este filme foi feito ao longo de quanto tempo? Como decorrem os dias de filmagem?

 

O filme teve um ano de rodagem, seis dias por semana. Antes teve meses de preparação, para mim foram três ou quatro não me lembro. A finalização foi mais um ano com muitos e longos períodos de rodagem. No total terá sido, um pouco mais de dois anos, em que um e meio foi rodagem propriamente dita.

 

 

3 – Como se constitui uma equipa de filmagem ? Quem foram os teus colaboradores?

 

As equipas dos filmes que tenho feito com o Pedro Costa são pequenas, temos de ser polivalentes. Mas há momentos que está presente toda a parafernália do cinema e os técnicos profissionais: grupista, eletricista, maquinista e seus assistentes. No primeiro ano de rodagem estiveram sempre presentes dois "apaixonados" de cinema, estudantes de realização que trabalharam muito na iluminação: o João Leão e o Vitor Carvalho. O Vitor Carvalho foi muito importante nos trabalhos de pós-produção de imagem. O Carlos Almeida da empresa Irmã Lúcia e o Gonçalo Ferreira na correção de cor foram colaboradores muito importantes para a imagem do filme.

 

 

4 – Com que equipamento filmaste? E porquê esse equipamento?

 

A câmara foi a MiniAlexa com três objectivas: 15mm e 28mm Compact Prime e uma Zoom Tokina 11-16mm. Filmamos em 16.9 com formato 4:3 em ProRes422.

 

O equipamento de iluminação foi muito diversificado: sol, espelhos, esferovites, refletores, dedolight, pares 64, HMI, tungténios  maxi-brutos, leds e Jokers, mas os décors também: noite, dia, exterior, interior, estúdio, chromas e retroprojecções.

 

5 – As imagens do filme lembram muito pinturas do período do renascimento, como Rembrandt essa é uma das vossas referências?

 

A imagem do filme tem momentos escuros, com cores densas e é essencialmente feita em planos fixos com objetivas grandes angulares. Talvez, isso leve a pensar em alguns casos da pintura. Mas realmente tenho a ideia que o pensamento é mais iluminar espaços escuros onde não há luz que são para ser escuros no filme.

 

 

 

 

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