Alberto Pimenta colorista homenageado pela aip

March 1, 2020

 Alberto Pimenta à direita a falar com o realizador João Carlos Pelotte na sala de correção de cor da Light Film

 

O colorista Alberto Pimenta teve um papel crucial e relevante para os diretores de fotografia numa época de transição tecnológica que apanhou todos de surpresa.

 

Alberto Pimenta trouxe a sua enorme experiência técnica que obteve no período que esteve na RTP entre 1980 a 1992 na função de operador de telecinema. Nessa época utilizava-se muito o formato de 16mm para programas especiais e mesmo para notícias sendo depois gradualmente substituído pela betacam.

Em 1992 sai da RTP para ingressar num outro projeto inovador que foi da primeira casa de pós-produção do país a «A Casa das Máquinas» em que tinha como sócios fundadores Lucília Nunes, Paulo Trancoso e João Rapasote. Poucos anos depois a empresa evolui, sendo fundida com outra a Alturas Vídeo fazendo assim nascer o Centro de Edição Especial CEE.

 

Quase no início deste século por volta de 1999 nasce o laboratório de negativo Light Film. Monta-se a zona de revelação de negativo no rés do chão do edifício. Era o segundo laboratório e único inteiramente de capitais privados, porque até ali só existia o laboratório estatal a Tobis Portuguesa.

 

A montagem do laboratório e a conjugação com a pós-produção de imagem, nomeadamente o telecinema e a correção de cor eram necessidades prementes da evolução que o mercado tinha tomado desde a introdução do digital na pós-produção de imagem e a Tobis na altura não estava à altura de dar resposta. Com a implementação do novo laboratório surge no 2º andar do edifício  as máquinas de telecinema Ursa Diamond da Rank Cintel e com o corretor de cor clássico Davinci e uma segunda sala com C-Reality também da Rank Cintel e com o corretor de cor DaVinci 2K Plus. 

 

É nos anos subsequentes que Alberto Pimenta começa a ser fundamental para os diretores de fotografia. Até ali os diretores de fotografia estavam circunscritos à cópia analógica enquanto que a partir daquele momento podiam contar com um poderosa ferramenta de correção de cor que só o Alberto sabia manipular de forma artística e técnica. Os conhecimentos adquiridos pela sua passagem na RTP e a montagem das outras empresas anteriores fizeram dele um expert na técnica e na manipulação da imagem vídeo aliado a uma sensibilidade espantosa no domínio e na manipulação das cores.

Os diretores de fotografia que com ele trabalharam tinham apenas afirmações de elogio pelos resultados obtidos. Muitos como o Carlos Lopes disse numa entrevista que deu na longínqua revista «Imagem cinematográfica», citando de cor - obrigado Alberto por tudo o que tens dado de bom ao meu trabalho – não menos eloquente de Luís Branquinho que afirmou que « quantas vezes não salvou as minhas asneiras e quantas vezes deu mais realce à minha fotografia», O João Lança Morais ainda vai mais longe e «cada vez que entrava na sala do Alberto ia com bichinhos na barriga. Na expectativa do que iria ver, se a exposição estava certa, se não tinha borrado a pintura… era como ir ao dentista arrancar um dente, era o exame final.». Foram momentos que muitos dos diretores de fotografia partilharam com o Alberto Pimenta que foi na era do digital o pioneiro colorista que deu brilho às imagens.

 

O Alberto afirma que ser colorista «é uma profissão muito interessante. Tem de dar a sua visão e gosto ao trabalho numa extensão do diretor de fotografia.» e acrescenta «Nutro pelos diretores de fotografia uma admiração muito especial e uma aproximação muito grande. É a imagem que nos une. Fiz inúmeros testes com DF’s e experimentamos muita coisa. Aprendi muito com eles e por isso tenho muito respeito. É uma classe de pessoas extraordinárias e tenho muito orgulho em trabalhar com eles.»   

Alberto Pimenta veio neste período em que os diretores de fotografia pouco ou nada sabiam de correção de cor no formato digital e foi ele que com a sua perícia técnica, bom gosto pessoal e com uma capacidade nata de manipular as cores que deu um passo em frente auxiliando os diretores de fotografia a obterem as suas imagens.

 

É neste espírito de gratidão e amizade que os DF’s da Associação de Imagem prestam uma merecida homenagem ao Alberto Pimenta.

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Editado por Mário Melo Costa