«Mosquito»


Pode ver o filme em FILMIN

"Mosquito", o novo filme do realizador João Nuno Pinto, fotografado pelo nosso membro Adolpho Veloso e produzido por Paulo Branco encontra-se em exibição em sala a partir de 5 de março.

Depois de "América" (2010), João Nuno Pinto realiza a sua segunda longa-metragem de ficção, escrita juntamente com a sua mulher e também guionista, Fernanda Polacow e com Gonçalo Waddington.

O protagonista, João Nunes Monteiro, interpreta Zacarias, um jovem soldado português que foi enviado para Moçambique durante a Primeira Guerra Mundial. A participação de Portugal durante a I Guerra é mais conhecida pelo envolvimento que teve na Flandres e não tanto em África para onde foram destacados algumas centenas de soldados para combater os soldados alemães que ambicionavam ocupar território ultramarino. Zacarias enviado para Moçambique, onde o conflito entre os exércitos português e alemão se desenrola longe dos olhares do mundo, o soldado vê-se deixado para trás pelo seu pelotão e parte numa odisseia mato adentro, à procura da guerra e dos seus sonhos de glória.

Adolpho Veloso vive no Brasil e tornou-se membro da aip depois de ter feito precisamente este filme. houve uma pequena conversa antes da estreia do filme.

Houve alguma abordagem entre você e o realizador que tivesse determinado a estética para o filme?

Quando entrei no projeto, o João Nuno já estava fazendo o filme há muito tempo. Já tinha escrito junto com a Fernanda Polacow há muitos e muitos anos, já tinha visitado locações em Moçambique e já tinha quase filmado uma vez. Todo tipo de problema aconteceu e ele só conseguiu filmar em 2018. O Leandro Ferrão que o acompanhou nos primeiros anos de projeto não podia mais e para minha surpresa e alegria o João Nuno me chamou. Eu estava em Lisboa e ele em São Paulo, fizemos alguns Skypes e nos encontramos pela primeira vez um dia antes de embarcar para Moçambique e começar a reconstrução do filme comigo a bordo. Com a responsabilidade de substituir o Leandro, que tem um trabalho incrível, e de contar uma história tão pessoal ao João Nuno, tentei entender o que o projeto significava para ele e quem era o Zacarias. Uma das primeiras coisas que perguntei pro João Nuno foi: “sobre o que é esse filme?” E ele com muita certeza me falou: “sobre orgulho”. Isso moveu nossa maneira de filmar o Zacarias e de enxergar a personagem, interpretado pelo gênio João Nunes Monteiro. Também falamos bastante sobre a Malária e como fazer o espectador sentir-se tão confuso quanto a personagem. Acho que isso guiou bastante nossa escolha de lentes anamórficas com pouquíssima profundidade de campo, de uma câmara na mão girando em torno do personagem o tempo inteiro e desnorteado quem assiste. Foi uma parceria criativa muito gostosa, das melhores que já tive com um realizador.

Que tipo de iluminação pensou aplicar? Pensou muito nos fins de dia quentes de África ou quis fugir a isso?

A iluminação é quase toda natural ou prática. Em Moçambique tínhamos um skypanel. E em Lisboa algumas coisas mais. Nada muito grandioso. Trabalhei muito em conjunto com o departamento de arte liderado pelo Nuno Melo para ter luzes espalhadas pelo porão do navio, por exemplo, ou incansáveis noites tentando manter fogueiras acesas na selva africana. O imbatível gaffer, Paulo Nunes, fez um esquema incrível de lâmpadas com dimmer em todos os lampiões e ficava escondido em algum canto dimerizando pra cima e pra baixo conforme a câmara se mexia nos takes mais longos. E minhas lutas diárias para filmarmos sempre com o sol mais baixo. Ensaiávamos na hora ruim de luz e filmávamos quando já estava mais aceitável. Ter um realizador e uma produção que compram essa ideia é inestimável. Os planos-sequência tornavam isso possível já que precisavam de ensaios e os takes eram feitos na hora ideal. Às vezes a luz acabava e não tínhamos ainda um take que funcionasse 100%, então tínhamos que pensar formas criativas de contornar.

Onde filmaram?

Filmamos em Moçambique e em Portugal.

Qual foi a sua equipa de câmara, iluminação e maquinaria. O equipamento veio de que empresa?

A equipa era pequena. Na câmara tínhamos o Jonas, foquista argentino que é um gênio do foco e fez milagre com essas anamórficas 1.6, com câmara na mão e sem marca nenhuma. Em condições muito limitadas sempre. Em Moçambique ele foi acompanhado pelo Custodio Guambe e Simione Gamboa e em Portugal pela Helena Marina. O gaffer foi o Paulo Nunes, parceiro que esteve comigo em vários projetos e é uma tranquilidade tê-lo no set. Em Moçambique teve a ajuda do Tony Monjane e em Portugal do maquinista Carlos Melo e do Alexandre Manolas.

Que equipamento usou de câmara, objetivas, iluminação e maquinaria.

Alexa Mini com Anamórficas Lomo Superspeed. Que foram cedidas pelo Gabriel da Base 1 em São Paulo.

A correção de cor quem fez?

Foi o Serginho Pasqualino Jr. Temos uma parceria incrível e ele felizmente fez todos os longas que filmei até agora. Ele tem um olhar único, sempre tentando entender o que a cena pede, trazendo sempre uma textura que me agrada. E a intimidade que temos faz com que ele seja sempre sincero, me fala onde errei feio e me salva.

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Editado por Mário Melo Costa