Nos últimos tempos, vimo-nos novamente diante da difícil tarefa de partilhar a partida de figuras que marcaram profundamente a história do IMAGO — a federação de associações de diretores de fotografia da qual a AIP fez parte e que, em 2020, decidimos abandonar, perante fragilidades estruturais e dinâmicas de poder que nunca pudemos apoiar. Ainda assim, aqueles que recentemente nos deixaram desempenharam um papel determinante na afirmação e no brilho das primeiras décadas deste século.
Entre essas perdas, a partida de Nigel Walters impõe um silêncio mais profundo. Assinala, de certa forma, o fim de uma era luminosa.
Durante a sua presidência, entre 2008 e 2015, o IMAGO transformou-se. Cresceu, expandiu horizontes, e deixou de ser apenas uma federação europeia para se tornar verdadeiramente internacional. Esse passo — ousado, visionário, quase poético — deveu-se em grande medida à força humana, diplomática e afetiva de Nigel Walters. Dotado de uma oratória contagiante, acreditava de forma absoluta na união dos diretores de fotografia de todos os continentes e carregava um entusiasmo que parecia iluminar cada sala onde entrava. Era direto, corajoso, genuíno. Não cultivava táticas: oferecia convicções.
Com a sua saída, a federação perdeu parte do rumo que tão habilmente tinha traçado. A desunião que se seguiu, as opções mal resolvidas, a difícil transição de uma identidade europeia para uma ambição global e até a interrupção dos prémios IMAGO — tudo isso aconteceu já depois de Nigel, longe da sua mão firme e da sua visão conciliadora. O declínio não foi obra sua; pelo contrário, a sua presidência permanece como o ponto mais alto que a federação alguma vez alcançou.
Com Nigel Walters, o IMAGO viveu os seus dias mais brilhantes. E é por isso que, neste momento de despedida, ele merece o nosso mais profundo carinho, o nosso respeito e a nossa eterna gratidão.
Nigel Walters será sempre lembrado por todos os seus amigos do IMAGO — com afeto sincero e uma gratidão que jamais se extinguirá.