No passado dia 29 de dezembro de 2025, a Academia Portuguesa de Cinema atribuiu o Prémio Bárbara Virgínia 2025 a Inês Carvalho, associada e membro da direção da AIP, um reconhecimento merecido à sua trajetória pioneira, sensibilidade artística e contribuição inovadora para o cinema português.
Inês Carvalho é a primeira mulher diretora de fotografia em Portugal, abrindo caminho com coragem, talento e rigor técnico em um campo historicamente dominado por homens. A sua escolha para o Prémio Bárbara Virgínia — que celebra mulheres que transformam a arte com visão e coragem — é um marco simbólico e justo.
A cerimónia, realizada na Cinemateca Portuguesa, foi marcada por um clima acolhedor, com homenagens sinceras que celebraram o seu impacto na criação cinematográfica.
Parabéns, Inês! 🎬👏
O jornal Expresso noticiou a homenagem a Inês Carvalho — ainda que com algumas imprecisões —, reconhecendo, de forma significativa, a força e o impacto da sua trajetória pioneira no cinema português. Um gesto que reforça a importância de celebrar vozes que transformam a arte e abrem caminho para outras. Leia aqui.
Discurso de Inês Carvalho:
Em primeiro lugar quero agradecer à Academia por me ter distinguido com este prémio Barbara Virgínia, até ter sido contactada pelo Paulo Trancoso não tinha realizado que fui a primeira mulher a fazer a direcção de fotografia de uma longa metragem em Portugal, sabia que éramos muito poucas mas não tinha tomado consciência que tal efeméride só se tinha dado já no século XXI e comigo.
A Direcção de Fotografia é uma espécie de Clube do Bolinha do cinema onde “menina não entra”, foi preciso muita paciência e resiliência. Nunca percebi se é o facto de se inibirem de dizer piadas machistas ao pé de mim ou se receiam que as equipas que eu lidero não me respeitem por ser mulher. Pode ser que um dia alguém me explique porque não vejo diferenças nas capacidades. Foram por isso muitos anos a sentir isto de uma forma dissimulada e silenciosa. Não foi um caminho fácil, cheguei até aqui e agora estou a ser reconhecida por ter aberto este caminho na estrada feminina, e só peço às minhas companheiras de profissão que insistam e não desistam.
Cresci a acreditar, graças à minha mãe e à minha avó, que eu podia ser o que quisesse e me fizesse feliz, que as oportunidades eram iguais para os homens e para as mulheres. Mãe, não foi bem assim, mas apesar destas dificuldades ainda acho que fazer direcção de fotografia faz-me feliz, e quando o faço de certa forma sinto-me uma privilegiada.
Quero agradecer ao Jorge Cramez que foi quem me convidou para fotografar a minha primeira curta metragem (e que foi depois de ver essa curta que o João Botelho me convidou para fazer o filme que vão ver de seguida), e quero agradecer à Sissi, maravilhosa assistente e confidente de trabalho, que me tem acompanhado ao longo destes anos todos e que atura os meus melhores e piores momentos atrás da câmara.
Quero também agradecer à Salomé, ao Rafael e ao Tomé que são as pessoas que fazem a minha retaguarda emocional, aos quais peço desculpa por qualquer ausência por trabalho mais inconveniente.
E obrigada a todos vocês que resolveram estar aqui para me ver receber este prémio.
Viva o cinema! Vivam as mulheres! E Palestina Livre!!!
Fotografias de Cristina Ganâncio
Associação de Imagem cinema-televisão Portuguesa
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