Rui Poças aip abc foi nomeado para os Prémios Goya pela direção de fotografia do filme "Ciudad sin Sueño". A nomeação destaca o seu trabalho num dos mais prestigiados prémios do cinema espanhol, reforçando o reconhecimento internacional da fotografia de Rui Poças. Muitos parabéns, Rui!
"Ciudad sin sueño" (título internacional Sleepless City) é um filme dramático hispano-francês realizado por Guillermo Galoe, estreado em 2025 na Semana da Crítica do Festival de Cannes. O filme recebeu grande atenção crítica e reconhecimento internacional, sendo elogiado pelo seu retrato sensível da vida na Cañada Real, um dos maiores assentamentos informais da Europa, nos arredores de Madrid.
A história acompanha Toni, um rapaz de 15 anos que vive na Cañada Real, nos arredores de Madrid. Toni pertence a uma família de recolhedores de ferro-velho e enfrenta o momento em que as máquinas de demolição ameaçam destruir o território que é lar da sua comunidade e o espaço das suas memórias. Entre a tradição e o desejo de mudança, o jovem tem de decidir se permanece ou parte para um futuro incerto.
Longe de estigmatizar os habitantes ou reduzir o bairro a um cenário de pobreza, "Ciudad sin sueño" valoriza as relações humanas, a luta quotidiana e a dignidade dos seus personagens, combinando elementos de ficção com aproximações quase documentais.

Ciudad sin sueño exemplifica um cinema comprometido, sensível e esteticamente ousado. A criação do filme envolveu anos de pesquisa, diálogo com a comunidade e adaptação ao ambiente real, enquanto a fotografia de Rui Poças concretizou visualmente essa visão, transformando a vida quotidiana da Cañada Real numa experiência cinematográfica profunda.

"Na imagem, a transfiguração operada por Rui Poças (brilhante diretor de fotografia, entre outros trabalhos com Miguel Gomes) é impressionante. Os planos realistas, próximos dos rostos e em movimento, alternam com quadros que nos transportam para mundos múltiplos: das noites de Ribera às alucinações cromáticas de David Hockney. Isto porque as crianças, através dos filtros dos seus telemóveis, documentam o seu espaço e projetam nele todas as possibilidades de uma fauna e de uma atmosfera sobrenatural."

"... a fotografia do notável diretor de fotografia português Rui Poças (colaborador habitual de Miguel Gomes, João Pedro Rodrigues, Ira Sachs e dos argentinos Gastón Solnicki e Lucrecia Martel) capta a essência melancólica e até atemporal desta história, na qual, se não fosse pelo facto de surgirem algumas carrinhas ou telemóveis e se falarem de TikTok ou PlayStation, poderia muito bem decorrer uma, três ou cinco décadas atrás. Uma cidade sem sono, mas também sem tempo."

"E é que o visual é um dos aspetos mais cuidados desta estimável obra. Não é de estranhar, já que o responsável pela fotografia não é outro senão Rui Poças, um nome de prestígio no cinema europeu, que ajuda a integrar as dinâmicas inerentes ao rodar num bairro mergulhado na vivacidade – quando não no caos – no seio de imagens de si já conflituosas, por vezes intrusivas. E que consegue extrair beleza a partir da naturalidade, fazendo uso dos (inexistentes) recursos de que dispõem aqueles que ali vivem. Convém destacar, sobremaneira, os recorrentes planos nocturnos à mercê do fogo e das velas em torno dos quais se reúnem os habitantes; uma penumbra impressionante que evoca com facilidade o tenebrismo em claroscuro da pintura barroca."
“O ‘star player’ é o director de fotografia Rui Poças... que capta a vibração da comunidade, mas também o estado confuso de espírito do protagonista com certa graça, usando uma combinação de planos de câmara na mão e steadicam, contrastando cores naturais da vida real com tons altamente filtrados do mundo imaginado das crianças.”
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